Manduca
da Praia
Era pardo claro, alto, reforçado, usava barba grisalha. Sua figura inspirava temores para uns e confiança para outros. Vestia-se com decência, chapéu na cabeça, usava um relógio que era preso por uma corrente de ouro, casaco grosso e comprido que impressionava as pessoas com seu porte, usava como arma uma bengala de cana-da-índia e a ele deviam respeito.
Certa vez na festa da Penha brigou com um grupo de romeiros armados de pau, ao final da briga deixou alguns inutilizados e outros estendidos no chão, entre outras brigas e confusões. Ganhava bastante dinheiro, seu trabalho era uma banca de peixe que tinha no mercado, vivia com regalias e finais de semana saia para as noitadas.
Morador da Cidade Nova, era capoeira por conta e risco assim disse Nulo Moraes. Manduca não participava da capoeiragem local, não recebia influência nem visitava outras rodas, pode-se dizer que ele era um malandro nato. Manduca da Praia conquistou o título de valentão, subestimando touros bravos, que sobre os quais saltava quando era atacado.
Por volta de 1850, Manduca "iniciou sua carreira de rapaz destemido e valentão, dotado de enorme força física e "destro como uma sombra", Manduca cursou a escola de horários integral da malandragem e da valentia das ruas do Rio de Janeiro na época de perigosos capoeiras como, Mamede, Aleixo Açougueiro, Pedro Cobra, Bemetevi e Quebra Coco. Desde cedo destacou-se no uso da navalha e do punhal; no manejo do petrópolis - um comprido porrete de madeira-de-lei, companheiro inseparavel dos valentões da época - na malícia da banda e da rasteira; e com soco, a cabeçada e o rabo de arraia tinha uma intimidade a toda prova. Tinha algo que o destacava e diferenciava de seus contemporâneos - facínoras, valentes e rufiões - fazendo que se tornasse uma lenda viva, e mais tadre um mito cantado e celebrado até os dias de hoje:uma inteligência fria, calculista e implacável; uma sede de poder, de status e de dinheiro; tudo isso aliado a uma visão de comerciante e de homens de negócios. Fez fama e dinheiro. Foi famoso temido e respeitado.
Data de nascimento: 1895
Filiação: joão grosso e maria haifa pereira
Local de nascimento: salvador,bahia
Origen capoeiristica:tio alipio(escravo,ensinou a capoeira
a outros grandes capoeiristas da bahia).
Data de falecimento: 8 de
julho de 1924***
BESOURO
MANGANGÁ A história dos grandes capoeiras, vive até nossos dias, na imaginação
popular e cantigas que narram suas façanhas. Em Salvador por volta de 1920 o
chefe de polícia Pedrito de Azevedo Gordilho, perseguiu não só as rodas de
capoeira, mas também o samba e o candomblé.
Nessa mesma época surge em Santo Amaro, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, que foi um dos maiores capoeirista da Bahia um dos mais admirados e citado em canções nas rodas de capoeira. Nascido em 1895, era filho de João Grosso e Maria Haifa, chamava-se MANOEL HENRIQUE. Aprendeu Capoeira com o escravo chamado Tio Alípio. Ganhou o apelido de Besouro (inseto de picada venenosa) devido a crença popular que dizia que quando ele arrumava alguma enrascada e o número de inimigos era grande alem do que ele poderia suportar, não sendo possível vence-los ele se transformava em besouro e saia voando.
Sua escola de Capoeira ficava em Santo Amaro, onde fez discípulos como Cobrinha Verde que também era seu primo. Era exímio capoeira e faquista perigoso. Tinha o "corpo fechado" e não gostava de polícia. Em 1924, empregou-se de vaqueiro na fazenda de um senhor conhecido pelo nome de Dr. Zeca. Este fazendeiro tinha um filho de nome Memeu que era muito genioso. Ele teve uma discussão com Besouro, seu pai temendo por sua vida, mandou Besouro se empregar em uma usina onde tinha um amigo administrador. Mandou então uma carta para ele, pelo próprio Besouro que não sabia ler. Esta carta pedia que dessem fim nele por lá mesmo.
O administrador lendo a carta disse a Besouro, que esperasse a resposta até o dia seguinte. Besouro passou a noite em um prostíbulo e no dia seguinte foi buscar resposta. Quando chegou foi cercado por uns 40 homens os quais lhe atiraram, as balas nada lhe fizeram, mas um homem o feriu pelas costas com uma faca de tucum (madeira com resistência de ferro, alguns diziam que esta tinha poderes mágicos). Morreu aos 27 anos de idade. Eis uma de suas façanhas narrada por seu ex-aluno Cobrinha Verde:
"Certa vez estava sem trabalho e foi procurar um ganha pão. Foi a uma usina e deram-lhe trabalho. Quando foi no dia do pagamento ele sabia que o patrão tinha o hábito de chamar o trabalhador uma vez, e na segunda dizia: "quebrou para São Caetano", que queria dizer: não recebe mais. E se o fulano reclamasse era chicoteado e ficava preso no tronco de madeira com o pescoço, os braços e as pernas no tronco por um dia e depois era mandado embora. Na hora do pagamento disse a Besouro "quebrou para São Caetano". Todos receberam o dinheiro menos Besouro. Besouro então invadiu a casa do homem e gritou: - "pague o dinheiro de Besouro Cordão de Ouro! Paga ou não paga!". O patrão rapidamente mandou que pagassem o dinheiro daquele homem. Besouro tomou o dinheiro e foi embora.
Besouro também não gostava de polícia. Muitas vezes encontrava companheiros que iam presos e os tomava da mão de qualquer soldado, batia em todos, tomava-lhes as armas, levava-as até o quartel e dizia: "tá aqui, seus morcegos" e jogava as armas. Um dia ele estava em frente ao Largo da Cruz e passou um soldado. Besouro o forçou a tomar uma cachaça. O soldado saiu dali para o quartel e fez queixa ao tenente que mandou 10 soldados para prender Besouro, vivo ou morto. Chegando lá deram ordem de prisão. Besouro saiu do botequim de costas, foi para a cruz, encostou-se nela, abriu os braços e disse que não se entregava. Os soldados começaram a atirar. Besouro fingiu está baleado e caiu os soldados acharam que ele estava morto e se foram. Besouro então se levantou e saiu cantando.
Nessa mesma época surge em Santo Amaro, Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, que foi um dos maiores capoeirista da Bahia um dos mais admirados e citado em canções nas rodas de capoeira. Nascido em 1895, era filho de João Grosso e Maria Haifa, chamava-se MANOEL HENRIQUE. Aprendeu Capoeira com o escravo chamado Tio Alípio. Ganhou o apelido de Besouro (inseto de picada venenosa) devido a crença popular que dizia que quando ele arrumava alguma enrascada e o número de inimigos era grande alem do que ele poderia suportar, não sendo possível vence-los ele se transformava em besouro e saia voando.
Sua escola de Capoeira ficava em Santo Amaro, onde fez discípulos como Cobrinha Verde que também era seu primo. Era exímio capoeira e faquista perigoso. Tinha o "corpo fechado" e não gostava de polícia. Em 1924, empregou-se de vaqueiro na fazenda de um senhor conhecido pelo nome de Dr. Zeca. Este fazendeiro tinha um filho de nome Memeu que era muito genioso. Ele teve uma discussão com Besouro, seu pai temendo por sua vida, mandou Besouro se empregar em uma usina onde tinha um amigo administrador. Mandou então uma carta para ele, pelo próprio Besouro que não sabia ler. Esta carta pedia que dessem fim nele por lá mesmo.
O administrador lendo a carta disse a Besouro, que esperasse a resposta até o dia seguinte. Besouro passou a noite em um prostíbulo e no dia seguinte foi buscar resposta. Quando chegou foi cercado por uns 40 homens os quais lhe atiraram, as balas nada lhe fizeram, mas um homem o feriu pelas costas com uma faca de tucum (madeira com resistência de ferro, alguns diziam que esta tinha poderes mágicos). Morreu aos 27 anos de idade. Eis uma de suas façanhas narrada por seu ex-aluno Cobrinha Verde:
"Certa vez estava sem trabalho e foi procurar um ganha pão. Foi a uma usina e deram-lhe trabalho. Quando foi no dia do pagamento ele sabia que o patrão tinha o hábito de chamar o trabalhador uma vez, e na segunda dizia: "quebrou para São Caetano", que queria dizer: não recebe mais. E se o fulano reclamasse era chicoteado e ficava preso no tronco de madeira com o pescoço, os braços e as pernas no tronco por um dia e depois era mandado embora. Na hora do pagamento disse a Besouro "quebrou para São Caetano". Todos receberam o dinheiro menos Besouro. Besouro então invadiu a casa do homem e gritou: - "pague o dinheiro de Besouro Cordão de Ouro! Paga ou não paga!". O patrão rapidamente mandou que pagassem o dinheiro daquele homem. Besouro tomou o dinheiro e foi embora.
Besouro também não gostava de polícia. Muitas vezes encontrava companheiros que iam presos e os tomava da mão de qualquer soldado, batia em todos, tomava-lhes as armas, levava-as até o quartel e dizia: "tá aqui, seus morcegos" e jogava as armas. Um dia ele estava em frente ao Largo da Cruz e passou um soldado. Besouro o forçou a tomar uma cachaça. O soldado saiu dali para o quartel e fez queixa ao tenente que mandou 10 soldados para prender Besouro, vivo ou morto. Chegando lá deram ordem de prisão. Besouro saiu do botequim de costas, foi para a cruz, encostou-se nela, abriu os braços e disse que não se entregava. Os soldados começaram a atirar. Besouro fingiu está baleado e caiu os soldados acharam que ele estava morto e se foram. Besouro então se levantou e saiu cantando.
José Nascimento da Silva
Nascimento Grande nasceu em 1842 e
dançou, em 1936. Reputado como o maior capoeirista de Pernambuco de todos os
tempos, O Capoeira, como era conhecido, foi manchete no principais
jornais do Recife. Negro, dois metros de altura, longo bigode, gentil,
educadíssimo, olhar de Bruce Lee, maneiro, veloz, incompatível com a sua
estatura física e peso – 120 quilos. A imprensa da época depois de reunir todos
os prós e contra do Capoeira, concedeu-lhe o título de Herói Popular, baseado
no fato dele só ter lutado durante toda a sua vida única e exclusivamente para
se defender.
Nascimento enfrentava um pelotão de polícia, brigava, usava as pernas, saltava de banda, quebrava telhados, escalava muros, quando era depois, procurava o soldado mais fraco da corporação e se entregava. Exemplo de honestidade, integridade, valentia e nobreza de sentimento. Nascimento Grande ganhou a simpatia de todas as classes sociais, além do meio cultural e literário, não só do Recife, mas de outros Estados: Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Ah, bom! Câmara Cascudo, José Mariano, pai do poeta Olegário, Gilberto Amado. Eles não só tinham estima pelo Capoeira, como conheceram-no pessoalmente. Gilberto Freyre chegou a reclamar do governo uma homenagem ao saber do falecimento de Nascimento Grande, aos 94 anos de idade, em Jacarepaguá, Estado do Rio de Janeiro, em 1936.
Esse operário do Porto do Recife, na função de estivador, era também conhecido como portador de uma força descomunal. Poderia ser o João Valentão da música de Dorival Caymmi. Claro, ele tinha seus momentos. Costumava parar em uma Igreja para uma oração. Consultava Pai de Santo, e costumava dizer para os amigos:
Nascimento enfrentava um pelotão de polícia, brigava, usava as pernas, saltava de banda, quebrava telhados, escalava muros, quando era depois, procurava o soldado mais fraco da corporação e se entregava. Exemplo de honestidade, integridade, valentia e nobreza de sentimento. Nascimento Grande ganhou a simpatia de todas as classes sociais, além do meio cultural e literário, não só do Recife, mas de outros Estados: Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Ah, bom! Câmara Cascudo, José Mariano, pai do poeta Olegário, Gilberto Amado. Eles não só tinham estima pelo Capoeira, como conheceram-no pessoalmente. Gilberto Freyre chegou a reclamar do governo uma homenagem ao saber do falecimento de Nascimento Grande, aos 94 anos de idade, em Jacarepaguá, Estado do Rio de Janeiro, em 1936.
Esse operário do Porto do Recife, na função de estivador, era também conhecido como portador de uma força descomunal. Poderia ser o João Valentão da música de Dorival Caymmi. Claro, ele tinha seus momentos. Costumava parar em uma Igreja para uma oração. Consultava Pai de Santo, e costumava dizer para os amigos:
- Siga ligeiro pra casa/ Vá procurar
“Pai João”/ Vá fazer o que lhe digo/ Mas também não tema não/ Compre maconha e
jurema/ Faça uma defumação.
A fama de Nascimento Grande despertou curiosidade entre os valentões mais famosos do Brasil. Sua coroa era cobiçada por ninguém menos que: – Pirajé ( Pará); Manezinho Camisa Preta (R.J); Pajeú (Sertão pernambucano); e João Sabe Tudo. Esse era nó cego, e vivia a desafiar o Capoeira, convocando-o para briga com local e hora marcada. O pior é que eram amigos, promoviam festas juntos no Hotel Sobrado Grande, localizado na Rua Camboa do Carmo, bairro de Santo Antônio, Recife.
A fama de Nascimento Grande despertou curiosidade entre os valentões mais famosos do Brasil. Sua coroa era cobiçada por ninguém menos que: – Pirajé ( Pará); Manezinho Camisa Preta (R.J); Pajeú (Sertão pernambucano); e João Sabe Tudo. Esse era nó cego, e vivia a desafiar o Capoeira, convocando-o para briga com local e hora marcada. O pior é que eram amigos, promoviam festas juntos no Hotel Sobrado Grande, localizado na Rua Camboa do Carmo, bairro de Santo Antônio, Recife.
A maior e mais violenta briga dos dois,
foi marcada com antecedência em frente à Igreja do Carmo. Cacete comeu até
certas horas. Já parecendo dois galos de brigas, ao terminar a luta, Nascimento
Grande colocou o seu parceiro nas costas e o levou para o hospital banhado de
sangue.
Conta José Mariano (Jornal do Commercio
– Recife, 20/02/36), que aos 93 o Capoeira foi até a feira livre de Paraguaçu,
e lá comprou um abacaxi a um Português dono de barraca. Verificando a idade
muito avançada do Capoeira, o Portuga colocou um abacaxi com um pedaço
podre, enrolou e entregou-lhe na mão. Em casa, quando Nascimento verificou a
sacanagem, voltou com a “inflorescência” na mão e foi reclamar do Portuga, que
não lhe deu a devida atenção. Desafiou o velho. A mancada foi do Portuga, né
véi? Nascimento foi na goela dele, do jeito que os capoeirista do Recife da
época faziam com os “marinheiros”. O Portuga só não morreu porque ficou
respirando pelo bigode.
O poeta popular também se pronunciou em
verso Sete Linhas sobre o Capoeira, como foi o caso de João Martins de
Ataíde, segundo Câmara Cascudo:
Nascimento ficou velho
Seu cabelo embranqueceu
Mas o seu rosto enrugado
Um homem nunca bateu
Sendo assim tão iracundo
Com honras viveu no mundo
Honrado também morreu.
Seu cabelo embranqueceu
Mas o seu rosto enrugado
Um homem nunca bateu
Sendo assim tão iracundo
Com honras viveu no mundo
Honrado também morreu.
“Hércules é um mito, Nascimento Grande
existiu de verdade. Suas façanhas estão narradas nos jornais do Recife”.
Ofereço esta matéria ao autor da frase
supra – Bernardo Alves, pesquisador autodidata, sério, honrado, competente
zeloso e incisivo, de saudosa memória. Começou a sua vida literária consultando
este que vos escreve para depois ser meu Professor. Morreu e deixou
vários trabalhos. Livros, textos e matérias escritas em revistas e jornais. Seu
livro: – A PRÉ-HISTÓRIA DO SAMBA, ainda vai mudar os conceitos relacionados à
origem do samba, aqui nesse Brasil.
Mestre Bimba ·Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, nasceu no dia 23 de novembro de 1900, no
bairro do Engenho Velho, freguesia de Brotas, Salvador, Bahia. Filho de Maria
Martinha do Bonfim e do batuqueiro Luiz Cândido Machado, Bimba iniciou-se na
capoeira aos 12 anos de idade. Teve como Mestre o africano Bentinho, capitão da
Cia. De Navegação Baiana. Aprendeu com ele a capoeira Angola e ensinou esta
modalidade durante muito tempo. Bimba tornou - se famoso por criar, na década
de 30, a Capoeira Regional, batizada por ele como Luta Regional Baiana e por
desenvolver uma metodologia de ensino para a capoeira. Fundou, em 1932, a
primeira academia de capoeira, chamada Centro de Cultura Física Regional
Baiana, situada no bairro do Engenho Velho de Brotas. Sua Academia foi a
primeira a ter autorização oficial para o ensino da capoeira em 1937. Em 1953,
Mestre Bimba e seus alunos se apresentaram para o então presidente do Brasil,
Getúlio Vargas, ocasião em que teria ouvido do Presidente: "A capoeira é o
único esporte verdadeiramente nacional". Sentindo dificuldade em difundir
a sua modalidade de luta na Bahia, mudou-se para cidade de Goiânia, em 1973,
onde viveu seu último ano. Morreu em setembro 1974.
Mestre Pastinha · Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, nasceu
em Salvador, Bahia, no dia 05 de abril de 1889. Era filho de José Señor
Pastinha, descendente de espanhol e de Raimunda dos Santos, uma negra nascida
em Santo Amaro da Purificação. Começou a aprender a capoeira aos 08 anos de idade
com um africano chamado Benedito. Aos 12 anos entrou para a Escola da Marinha.
Deu baixa em 1910 e começou a ensinar capoeira. Para sobreviver, trabalhou no
Diário da Bahia, foi pintor de quadros a óleo, trabalhou como engraxate,
empalhador e pedreiro. Fundou, em 1941, o Centro Esportivo de Capoeira Angola
(CECA), situado no largo do Pelourinho. Em 1964, publicou o livro
"Capoeira Angola". Logo depois lançou um disco com toques e cantigas
de capoeira. Foi à África, em 1966, representar o Brasil no I festival de Arte
Negra, em Dakar. Nesta época, Pastinha já apresentava dificuldades em enxergar,
problema que se agravaria nos anos seguintes. Morreu, completamente cego, em 13
de novembro de 1981, aos 92 anos. Devido ao seu profundo conhecimento dos fundamentos
da Capoeira Angola e ao amor e dedicação a esta arte, Mestre Pastinha foi, sem
dúvidas, o maior representante da capoeira Angola, de todos os tempos.
Mestre Waldemar · Waldemar da
Paixão, Mestre waldenmar
nasceu em Salvador, em 22 de fevereiro de 1916. Iniciou a
capoeira em 1936, com 20 anos de idade. Foi discípulo de Siri de Mangue,
Canário Pardo, Peripipi, Talabi e Ricardo da Ilha de Maré. Começou a ensinar a
capoeira em 1940, ano em que começaram as apresentações na Estrada da
Liberdade.A roda comandada por Mestre Waldemar se tornaria um dos mais
importantes pontos de encontro dos capoeiristas baianos daquela época.
Destacou-se no toque e no canto, sendo considerado um dos maiores cantadores da
história da capoeira. Waldemar ficou conhecido por iniciar a comercialização de
berimbaus na Bahia e por fabricar os berimbaus mais famosos de todos os tempos,
revolucionando as técnicas de construção deste instrumento. Primeiramente,
passou a retirar a casca da biriba. O arame utilizado na confecção do berimbau
era retirado de pneus queimados; Waldemar inventou "abrir na raça para
sair cru". Assim, o arame não ficava enferrujado e não quebrava tão
facilmente, Depois passou a pintar seus berimbaus, o que se tornaria marca
registrada dos instrumentos que fabricava. Foi uma das maiores personalidades
da história da capoeira.
Mestre Canjiquinha · Washington Bruno da Silva, Mestre Canjiquinha,
nasceu em 25 de setembro de 1925, em Salvador. Foi
discípulo de Raimundo Aberrê e destacou-se no toque e no canto, possuindo uma
grande facilidade de improvisar. Era muito comunicativo e talvez por este
motivo tenha sido um dos capoeiristas mais convidado a apresentar-se em
exibições oficiais do estado, em clubes e no cinema, na sua época.
Mestre João Grande · João Oliveira dos Santos, Mestre João Grande,
nasceu na Bahia, foi discípulo de Mestre Pastinha e
herdou sua filosofia e seus conhecimentos sobre a Capoeira de Angola. Fez parte
da comitiva, levada por Pastinha, ao Festival de Arte Negra, em Dakar (África),
em 1966. Ensina a capoeira, atualmente, em Nova York, onde possui muitos alunos
e desfruta de bastante prestígio. Recebeu, há pouco tempo, o título de Honoris
Causa da Universidade de Nova York. É membro do conselho da Associação
Brasileira de Capoeira Angola. Trata-se de um dos grandes nomes da história da
capoeira.
MESTRE JOÃO PEQUENO - Araci - BA (1917)
"A
capoeira é uma coisa que nasce no sangue da gente. Na natureza e no
espírito".João Pereira dos Santos, o Mestre João Pequeno, nasceu na cidade de Araci (BA). Discípulo de Mestre Pastinha, que o apelidou de "Cobra Mansa", teve seu primeiro contato com a Capoeira por intermédio de Barbosa e Juvêncio. Gravou seu primeiro disco solo pelo Programa Nacional de Capoeira em 1990. Hoje é muito procurado por alunos do Brasil e do exterior como uma das, referências vivas da Capoeira Angola.
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MESTRE NORONHA - BA
(1909/1977)
"O capoeira deve ser muito educado ao ser
apresentado nos altos meios sociais. Se valente, deixar de lado esta vida que
já se passou. Devemos adquirir lastro de amizade. É o que devemos
fazer".
Daniel Coutinho, nasceu em Salvador (BA), na Baixa do Sapateiros e iniciou seu aprendizado na Capoeira com Cândido da Costa (Cândido Pequeno) aos 8 anos de idade. Foi engraxate, estivador, doqueiro, trapicheiro e ajudante de caminhão. Junto com Livino, Maré, Amorzinho, Aberrê, Percílio, Geraldo Chapeleiro, Juvenal Engraxate, Geraldo Pé de Abelha, Zehí, Feliciano Bigode de Seda, Bom Nome, Henrique Cara Queimada, Onça Preta, Cimento, Argemiro Grande, Argemiro Olho de Pombo, Antônio Galindeu, Antônio Boca de Porco, Cândido Pequeno (Argolinha de ouro), Lúcio Pequeno e Paquete do Cabula fundou o "Primeiro Centro de Capoeira Angola do Estado da Bahia", em Ladeira da Pedra, Gengibirra, na Liberdade. Com Livino fundou, também o "Centro de Capoeira Angola da Conceição da Praia". Deixou seus manuscritos organizados por Frede Abreu e publicados pelo Programa Nacional de Capoeira, intitulado "ABC da Capoeira Angola".
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